Quando somos pequeninos, queremos ter infinitos horizontes, mais ou menos 1 por semana. Ou queremos ser doutor ou engenheiro, condutor de pesados ou montador de tectos falsos, agricultor ou presidente. Eu queria apenas ser uma ovelha. Não foi espontâneo. Foi adquirido e muito bem ponderado. Também queria ser aviador (e mantenho) mas na minha aldeia não havia estradas compridas para aterrar o avião nem pessoas suficientes para me verem aterrar o avião (a necessidade de reconhecimento já vem da infância). Então queria ser ovelha. As ovelhas eram giras. Dormiam por baixo das árvores que tinham passarinhos. Estavam sempre a comer. Andavam devagarinho sobre as gramíneas. Eram contemplativas. Introspectivas. Não tinham frio. Nem calor. Vestiam-se com uma almofada gigante de lã. Eram inteligentes. Falavam. Comunicavam. Estavam sempre de bem com a vida. Lamento ter passado ao lado de uma carreira de sucesso de ovelha, mas os traços contínuos da vida nunca foram impeditivo para ultrapassagens mais ou menos arriscadas que me conduziram ao presente. Recordo-me, como se fosse neste instante, das ovelhas da minha aldeia. Quando as minhas pálpebras se tocam, recordo-me melhor ainda. E sinto saudades. Imensas. Um oceano indecifrável e nostálgico. Como uma carta, que resta, permanece, fica. Como uma menina. Como uma caixa de correio onde deposita um retrato. Como uma flor. Como um prado de malmequeres. Como um papiro.
No leste da Gronelândia, o urso polar é chamado de Tornassuk, "o mestre dos espíritos prestativos"...
Tuesday, March 12, 2013
Saturday, March 09, 2013
Não te tocando, sentes-me... :)
Nada é mais fantástico do que uma imagem infinita reproduzida em ínfimos centímetros quadrados. Rasga-nos a mente de perspectivas, faz-nos cócegas no pensamento, lança-nos violentamente para uma imensidão de vontades. Esta será, no meu plano íntimo, a imagem mais inspiradora a que o Mundo assiste. Até hoje. Estou perfeitamente convencido que num futuro mais ou menos próximo, outras gerações descobrirão fontes de inspiração que, já existindo, estarão secretamente protegidas, desde o primeiro dia. Não é bom que seja assim. Mas, não sendo, arriscaríamos o suicídio de tendências e correntes de pensamento que um dia inspirarão a civilização. Esta imagem despe-nos, claramente. Uma espiral compulsiva de ideias, de átomos em colisão precoce, uma interminável degustação de saber. Hoje, tem um significado especial. Não sendo evidente, é. Os dedos não se tocando, tocam-se. Não te tocando, sentes-me...
Monday, January 21, 2013
Novo aroma Nespresso - Chicken Arpeggio
Tenho uma amiga que, embora nunca voluntariamente, se predispõe a servir de cobaia para os estudos de desenvolvimento de novos aromas Nespresso. A aceitação tem sido muito elevada, à excepção do aroma a farinheira com ovos mexidos, em que sentiu náuseas e ficou 27 segundos com os olhos esbugalhados. Claro que ficou a contemplar minuciosamente o seu café, mas o departamento técnico e de marketing da Nespresso é tão rigoroso no controlo no processo de qualidade que a cobaia não detectou qualquer anomalia. Houve também um episódio que ficou registado no Manual da Qualidade, relativo a um ensaio com Super Pop Limão em que a cobaia ficou a produzir algumas bolhinhas sempre que falava, mas associou essa produção a uma constipação mal tratada. Sobre o ensaio com um agrafo, os resultados são confidenciais, mas a cobaia está, desde a altura, com uma voz diferente. Num futuro próximo serão anunciadas novas surpresas. Nespresso - o aroma que surpreende!
Thursday, January 17, 2013
A crise de Ideias...
Quem atribui à crise os seus
fracassos e penúrias, fragiliza o seu próprio talento e entrega maior respeito aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.
Tuesday, January 15, 2013
While My Guitar Gently Weeps...
Hoje, no percurso de casa para o escritório, escutei esta faixa. Era quase madrugada, não havia trânsito e os semáforos encarnados merecem pouco respeito. Minutos que permitiram deliciar-me por três vezes e meia. É um dom. É inevitável. Satisfazer as cordas de uma guitarra, carente que estão de dedos voluptuosos e agressivos, não é para qualquer um. Mantenho uma viola no meu quarto, em modo de monólogo. Não responde aos meus dedos da forma que eu pretendo. Nem sei se, de facto, pretenda que responda. Mas dá-me algum gozo vê-la por lá todas as noites. Escuto-a mesmo em silêncio. Talvez um dia experimente afagar carinhosamente as suas cordas, sem segurar um ovo kinder na outra mão mas, para já, não tem sido fácil :) Não gosto particularmente de Carlos Santana, mas vergo-me perante os seus dedos. Deixo-vos esta interpretação fenomenal.
Saturday, January 12, 2013
Asteróide Buceta is back!
Falta 1 mês! Pedro Rodrigues liberta a Asteróide Buceta que há dentro de si e nada será igual ao que era. Não se sabe onde nem como nem porquê. Sabe-se apenas quando. E o Mundo, essa bola imprevisível, é atingido por um(a) asteróide.
Friday, January 11, 2013
O cenário do som.
Ao longo dos anos tenho experimentado ouvir os mesmos sons em diferentes cenários. É tudo impressionantemente diferente. Não é uma questão de luz, de cor, de plástico ou madeira, de cetim ou bombazine. É uma questão de interpretação, de brinde dos sentidos, de convívio mental de todas as sensações. É muito mais do que um hipotálamo a estimular a hipófise. Duvidam? Experimentem ouvir um rugido em frente a um televisor, ou dentro de um jeep no Kruger ou fora do jeep no Kruger. Continua leão. Experimentem ouvir a água, da ETAR de Carrazeda de Ansiães ou das Cascatas de Yosemite. Continua água. Experimentem ouvir uma boa faixa com um videoclip formatado para vos fazer vibrar com pessoas, paisagens, cores e efeitos. Depois escutem o mesmo som num cenário de estúdio. Tudo faz sentido. Uma boa música passa a ser uma excelente música em estúdio, olhando a acústica da mesma forma, mas sentindo-a com intensos segundos. Não deixa de ser a mesma música. Mas é música e não uma máscara.
Deixo-vos este rugido / cascata / música:
Sunday, January 06, 2013
Beneath Your Beautiful
As tardes de domingo, sem sol e sem chuva, sem frio e sem calor, sem tempo e com tempo, permitem-nos cuidar do pensamento de uma forma que o sol, a chuva, o frio e o calor não aceitam. Deixo-vos com esta intensa faixa.
Saturday, December 29, 2012
Sejam palhaços, pá!
Haveríamos todos de ter oportunidade de ser centenários e regressar à normalidade após 6 meses. Ser ultrapassados pela bola, sentar e levantar em dois minutos e meio e custar tanto como fazer o pino por meia hora, ter menos 31 dentes e mais 12 próteses, usar uma pochete a vazar gotas de soro a cada 3 segundos, sentir frio no Verão e no Inverno (ou não saber quando é Verão ou Inverno), vestir sempre a mesma cuequinha branca enquanto a tanga de leopardo repousa na naftalina, ler o jornal com 3 pares de óculos e não saber o que é um iPad, levar a colher à boca e acertar nos olhos, tropeçar em todos os tapetes, ter um cão sem saber que é um gato, chamar Dulcineia à mulher em vez de Samantha (ou confundir a mulher com o cão que afinal é gato). Enfim...
Sejam palhaços, enquanto podem. Não esperem pelo arrependimento. Atravessem a vida inteira com 1000 razões para viver. Sejam palhaços.
Wednesday, December 26, 2012
Romance em forma de riscos...
Há amores que nos compreendem melhor do que "aquele amor". Há amores que ficam, restam e duram, sem que sejam continuamente alimentados. Sobrevivem a desprezos desmedidos e a fúrias inconstantes. Fluem nas nossas mentes ou nos nossos dedos, a cada dia ou a décadas sem qualquer dia. Mas existem sem questionar existência. Há muitos anos que alimentava este amor. Para escrever os meus livros secretos, desenhar retratos mentais na moleskine mais viajada do mundo, ou para os diálogos silenciosos que mantenho, intermináveis, mas efémeros de existência. Saber brincar com as letras é extraordinariamente relaxante. Infinitamente ágil. O Natal tem destas coisas boas, de nos fazer conquistar algo que já havíamos conquistado mas que não era nosso. O prazer de ter algo que dura mais do que a nossa vida, é suficientemente grande para nos provocar uma audácia superior, e conquistar, de facto. Porque, como qualquer palavra lançada ao papel, fica, resta e dura. E assim tem outro sabor.
Monday, December 24, 2012
O Natal é muito mais do que Natal...
Chão de pedra fria e castigada por Invernos cinzentos. A lareira apenas adormecia em tons de laranja, por um fio de minutos, logo despertava poderosa e gritante. Lembro-me de soprar até corar, ela não podia adormecer por estes dias. Lembro-me de arriscar o tom de pele quando espreitava por trás da chama, a cada minuto, para o ver chegar. Lembro-me de estar descalço para não fazer barulho, de tapar o nariz para não tossir de fumo. Lembro-me principalmente de ler imenso nessa noite, para vencer o sono. Lia jornais antigos e ia atirando cada folha lida para o lume, que devorada as palavras mais depressa do que eu. Lembro-me de ser vencido e adormecer num velho sofá estridente de idade. Lembro-me de ouvir a Avó acordar e de me atirar para o chão, em tábuas dançantes de pregos soltos, fingindo ter caído da cama. Lembro-me de a ouvir lamentar-se e de me ajudar a voltar para o sofá. Eu contia o sorriso. A casa era, de facto, pobre. Não há outra descrição. Mas sentia-se, a cada segundo, um vibrante luxo de sensações, um tesouro fantástico de emoções. Corria para a lareira, a velhinha cafeteira de latão já despertara, a gigante fatia de pão beijava as brasas, e os olhares ternos de amor não precisavam de embrulho. Espreitava uma última vez para ter a certeza que saíra bem e que já voava alto. Em pijama fintava as ruas de alegria, em neblina turva, empurrando o carrinho amarelo, e constipava-me, como sempre. Um contentamento doce. O chão de pedra fria e castigada por Invernos cinzentos não era mais frio. O Natal é muito mais do que Natal. Feliz Natal.
Sunday, December 23, 2012
Merry Christmas... :)
An animal's eyes have the power to speak a great language... Give them love. Not only at Christmas time...
Sunday, April 25, 2010
Wednesday, March 10, 2010
Tuesday, March 09, 2010
Tuesday, December 15, 2009
Sunday, December 06, 2009
Monday, October 05, 2009
Tuesday, September 22, 2009
Tá nanar !!
Sem grande treino, dia após dia caminho para o recorde de adormecimento em menos tempo que eu sei lá o quê. Hmmmm... julgo que o meu chefe já domina um pouco mais as ferramentas informáticas, portanto vou reformular. Sem grande treino, noite após noite caminho para o recorde de adormecimento em menos tempo que eu sei lá o quê.
Julgo que já anda nos 3 segundos, mais centésimo... menos centésimo... Geralmente quando me deito, o processo de tirar o segundo pé do chão já é feito num quadro sintomatológico de sonambulismo. Julgo até que, muitas vezes, adormeço com um pé na cama, sofá, tablier do carro, banheira, balcão de um cliente, etc, etc... e o outro pé ainda no chão. O que é fantástico é o esforço inglório de tentar recordar a última imagem antes do abraço efusivo das pálpebras. É uma vida feliz a das pálpebras, já repararam? Passam o dia aos beijinhos, mais ou menos circunstanciais, lentos ou quase eternos. À noite abraçam-se e fazem sabe-se lá o quê, essas malucas. Ninguém me tira da ideia, que a pálpebra superior tenha mais um cromossoma X. De qualquer modo, no essencial, esta é a imagem (excluindo obviamente a Carmen Electra) que me parece ser a última que "fotografo" antes de nanar.... gostam...?
Monday, September 21, 2009
Sebenta de Geoquímica!
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