Sunday, March 23, 2008

Give them a smile. It´s enough :-)

Esta foto tem quase 1 ano e está artisticamente engraçada. A vegetação impede que se perceba que sou eu o "senhor padre" e, obviamente, também não vou dizê-lo. Atrás de mim (ups...) vem a cruz, representando Deus. Eu sou católico, mas vivo a minha religião de uma forma muito sóbria, concordando e discordando de inúmeras situações, permitindo-me o pecado de assumir uma religião muito própria, a minha. Defendo que cada pessoa se deve entregar a Algo assumidamente transcendente, refugiando-se em momentos de maior ou menor alegria e tristeza. Se alguém for feliz a dar cabeçadas no tecto, excelente, desde que não seja o meu vizinho de baixo. Se alguém for feliz a passear galinhas na rua, perfeito, desde que não vá à minha frente e a galinha tenha comido 5 Kg de milho. O que importa é estar bem e ser feliz, mas ser mesmo feliz!
Nos últimos 2 anos, na Marmeleira (sim, Marmeleira) e nas aldeias vizinhas, no dia de Páscoa e no dia seguinte, entrei em casa das pessoas, representando Cristo. Absorvi muitos sorrisos nas faces das pessoas mais velhinhas, por verem entrar em suas casas um "senhor padre" tão novo, sorridente e com mania de beijinhos. Vi tristeza nas jovens moçoilas que, ao verem-me "senhor padre" descobriam o final de um possível matrimónio comigo :) Recordo-me de entrar no quarto de um senhor acamado, lhe dizer palavras amigas, e ver o seu sorriso e o da sua esposa. Uma casa tão humilde, tanta tristeza, tanta dor... e 1 sorriso. Não há sensação mais intensa, garanto-vos.
Não faz sentido escrever sobre estes momentos se, este ano, não se tivesse passado o que se passou. De facto, por "tareias" das grandes que a vida nos dá, este ano não quis passar este dia na Marmeleira, a minha aldeia. Faz falta alguém que, fazendo falta todos os dias, é de uma insuportável ausência neste dia... a Mãe. Fui e vim ontem, só para distribuir "olás". Este ano, quem me vai suceder na visita Pascal, inundar de alegria e carinho corações desprotegidos, encher as caras de sorrisos e de alegria, não é um puto qualquer como eu. Não é um padre qualquer. Nem um bispo qualquer. É apenas um Prémio Nobel da Paz. Ui... Meu Deus... D. Ximenes Belo, bispo de Dili, Prémio Nobel da Paz 1996. Reconheço que senti algum orgulho no que tenho feito. Vai saber bem, daqui a 100 anos, no Quem Quer Ser Milionário, ouvir o Jorge Gabriel com a sua voz trémula, por entre tossidos e "ais" da idade: Quem foi que, em 2006 e 2007, antecedeu o Bispo Emérito de Dili e Prémio Nobel da Paz, na benção das pessoas e casas na Marmeleira e aldeias vizinhas:
a) Papa Bento XVI
b) Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo
c) Polarito
Hum... tenho algum orgulho em mim e gostava de vos dizer isso, por pouco humilde que possa parecer... sabe bem ser palhacito ao máximo e crescido ao máximo, e poder passear por um intervalo tão grande de emoções que vão entre estes dois personagens. Sabe bem ser Polarito, eternamente Polarito... e ter a certeza que o mundo, esse, continua a girar sem parar... ;)

Wednesday, March 19, 2008

1 dos 365 ou 366 dias do Pai

Hoje foi dia de sair mais cedo do escritório, conduzir tranquilamente ao som de Norah Jones e dos "plinck... plick... plinnnnck..." das gotas de chuva no pára-brisas, deixar o carro por baixo de uma árvore para que os passaritos tivessem o seu momento de devaneio pós-refeição. Entrei, disse bom dia, sentei-me e almocei. Com o meu pai e com o meu irmão. Vi nos olhos do meu pai que estava contente. Isso deixou-me tranquilo, ainda mais tranquilo. Entrei no carro. Agradeci aos passaritos os presentes multicoloridos, e regressei ao escritório, ao som de Norah Jones e dos "plinnnnc.... plinnnnncccc" das gotinhas de chuva que tilintavam suavemente. Não havia trânsito, não havia radares, não havia estrada escorregadia, e eu estava atrasado. Mas fui absurdamente devagar a imaginar o dia em que escuto a palavra... pai... em 2 ou 3 ou 4 ou mais vozes diferentes... sabe bem... deve saber bem... afinal de contas tenho 500 brinquedos que começo a ter vergonha de dizer que são meus. Até devo achar piada a encontrar as paredes da sala riscadas com lápis de cera. E os móveis da cozinha cheiiinhos de plasticina. Também consigo desatar o nó da cauda do gato, ficar muitas horas a ensinar a andar de triciclo, mesmo que o triciclo tenha ainda mais duas rodinhas de apoio. Ainda gosto de ler histórias antes de nanar, é só passar a ler em voz alta. Ainda gosto de brincar às escondidas, à macaca, aos polícias, ao chefe da aldeia, etc... Apetece-me instaurar novos métodos de formação pessoal e humana. Apetece-me que as crianças saibam o que é tudo, menos uma coisa: paredes. Que saibam o que é o Mundo. As florestas, as praias, os oceanos, as montanhas, as selvas, as ilhas, os glaciares, os corais, desde crianças. Assim tem tudo mais piada. Mas também... também teria vergonha em ter um pai como eu, reconheço. É melhor ir primeiro dar 2 ou 3 voltas ao Mundo, encontrar a infeliz a quem os meus netos chamarão de avó e depois é só fazer o mais fácil. Ser eternamente Polarito... o mundo, esse, continua a girar sem parar... ;)

Sunday, March 16, 2008

Who knows what tomorrow brings...?

...e quando queremos roubar uma estrela do céu para que ela brilhe mais... roubar uma onda do mar para que ela mergulhe em fantasias... quando queremos ser fortes para girar a Terra ainda mais depressa, para que ela viva sensações e emoções como ninguém, em minutos alucinantes de novidades, ao sol, à chuva, ao vento, com trovões, mas sempre com um rasgo incandescente de surpresa... e queremos que ela viva experiências fantásticas, porque sabemos que ela assim é feliz... então esquecemos que as estrelas são do céu e as ondas do mar. A Terra não pode girar mais depressa porque perde o seu encanto. Lamenta-se não ter tempo para mostrar um pouco mais, convicto que seria a loucura. E dói. E dói mais quando me bate com palavras, ou me insulta sem que esteja por perto. Dói que se esqueça que construí um pequenino barco e naveguei dentro dela até ao coração. Lá construi um dique para segurar tudo aquilo que é alegria. Percorri todo o seu corpo na minha pequena jangada, várias vezes. Tirei fotografias a locais de uma beleza infinita, moldei locais que me pedia para desenhar a meu gosto. O dique rebentou...Hoje uma pequena brisa me moveu-me a face perto do mar, um rasgo de sol encheu-me a alma de calor e sinto que há tantas estrelas a iluminarem-me os olhos, tantas ondas à minha espera, e a Terra... a girar ao som de uma música nova, a cada dia...! Então regresso, deixo que as nuvens mais brancas me trespassem. Olho para trás e continuam brancas. Fico feliz. É assim que sabe bem. Afinal, ela sorriu muitas vezes. Até querer. Sem que eu nunca tenha feito nada para que sorrisse. Fica sempre aquela coceguinha no peito, de não ter sido normal. Mas fica sempre aquele orgulho de, de facto, nunca o ter sido. Isso tranquiliza-me e faz-me seguir sorrindo. Hoje cerraram as cortinas de mais um espectáculo da minha vida, e soube-me bem ouvir os aplausos... Amanhã, mais uma aventura, mais um espectáculo para a minha plateia que é cada vez maior. Obrigado a todos. Clap. Clap. Clap.
Matthew: I have a feeling that in the near term, it'll be Sawyer and Kate, and in the long term, it'll be Jack and Kate.
Evangeline (about a Jack & Kate romance): It will happen. Just wait for it - it will happen.:)
Eternamente Polarito... tudo ficou por dizer e fazer, mas o mundo continua a girar sem parar... :)

Tuesday, March 04, 2008

Dependência noctívaga !



Podem considerar esta situação como uma patologia associada a um desvio mental acentuado, mas se há algo que me incomoda prái uns 97,8 na escala de 0 a 100 do incómodo, é ter de ficar a nanar sozinho em quartos de hotel. Pronto, tive de dizer! É triste, é deprimente, não faz sentido, e é um sub-aproveitamento dos lençóis, do quarto, do hotel, e até da própria responsabilidade que me foi imputada de dar continuidade à espécie. Já não ia a Barcelona... vá lá... há uns 15 dias! Na altura fui na minha condição de Polarito Puto Xarila Macaco sem Pila, só para brincar. Desta vez fui na minha condição de Eng. Pedro Rodrigues, para brincar, mas sem passar a imagem de que estava a brincar. Tudo perfeito! Mas chega a madrugada, abre-se a porta do quarto e pronto, já não há mais brincadeira. O Eng. dorme, de perna cruzada (mas à homem) sonhando com o dia em que há-de ter aspecto de engenheiro. O Polarito Puto Xarila Macaco Sem Pila, adormece a imaginar que, por mais que se esforce, nunca deixará de ser criança. Eu entretanto bazei, dei de frosques, botei-me na alheta (put myself on the "garlick...eta") e deixei lá os dois. Tenho a certeza que toda a noite disseram palhaçadas até ficarem sem ar nas veias da cabeça. Mas foi só isso, garanto-vos. A condição de 2 dos últimos machos morenos latinos de barba rija e pêlos no peito, impede-os de outras brincadeiras, e ainda bem... toc toc toc (num pedaço de madeira). Eternamente Polarito... e o mundo continua a girar sem parar... :)

Thursday, February 28, 2008

Eu e um puto parecido comigo!

Antes eu tinha a mania de me enfiar em cestos. Tinha um focinho mais lindo que hoje. Mas pouco mais :) Do que tenho mesmo saudades é das orelhas. Vejam que espectáculo de orelhas. Todas as ursa... meninas vinham ter comigo fazer miminhos atrás da orelha. Depois aos 4-5 anos apareceu a puberdade. Eu não queria nada. Tinha planeado a minha vida e das minhas amigas do jardim escola para a puberdade aparecer só aos 7 anos, mas nesse dia fatídico bateu à porta e eu, feito literalmente urso, disse "quem é?" e do outro lado responderam "é a puberdade, pá, cheguei mais cedo porque não havia tanto trânsito. Abre lá a porta". Fiquei mesmo lixado. Nem sequer me tinha arranjado para a receber. E também não me apetecia nada começar tão cedo a fazer buraquinhos na areia da praia, sem ser para brincar aos túneis. "Epá, ó puberdade, o que é que tu pensas da vida? Não podes voltar mais logo?". E ela, feita parva, respondeu: "tá cáládo, pá! Opá, tá cáládo, pá! Ágóra é que é porrêro, pá! Lá nos África nóis aparece aos dois meses, pá!". E eu resignei-me. Se é a puberdade dos África, é uma boa puberdade. Vai-me dar jeito mais tarde. E fiquei assim, parecido com um puto, com caracóis no cabelo, quase a roçar os limites do que é considerado uma carapinha. Não sei porque comecei aqui a falar na puberdade, foi só uma muito pequenina incursão nos caminhos da demência. Mas uma coisa é verdade, digam lá se não era/sou/serei parecido com um Deus Grego (click) ? :))

Wednesday, February 27, 2008

Ronrommmm...

Lá estava ela à minha espera. Como todos os dias. Não tem nome. Não tem data de nascimento. Não tem casa nem família. Mas está sempre ali, quando saio ou quando chego. Pequeninos pulos e mios de doçura. Confunde-me as pernas, tropeço em cada passo, mas ela gosta... gosta de sentir que o risco de eu me escangalhar em cima dela está no limite, e por isso não desiste. E eu faço sempre as mesmas festinhas, vou buscar sempre os mesmos biscoitos e mantenho sempre os mesmos 3 minutos de brincadeira. Não posso levá-la para casa. Ia haver duas brigas. Com o meu pai e com o meu gato. Ela deve ser feliz assim, porque mia, come, brinca e depois, com um mio mais longo, despede-se até à manhã seguinte. Muitas vezes a minha mãe brincou com este miau, e por isso tem um valor ainda mais especial para mim. Ainda me lembro do sorriso da minha mãe quando, após 1 mês de desaparecimento, a gatinha voltou, a miar ao pé da minha janela. Os sorrisos são o meu ar e não respiro sem os sentir. Esta gatinha vive contente, parece-me. Defende-se melhor dos carros, dos cães e das pessoas, do que numa casa. É feliz assim. E isso faz-me feliz também. Té manhã, pikinininha, onde quer que estejas a nanar :)

Tuesday, February 26, 2008

Palhaço vs. Engenheiro ?


Há 2 coisas mesmo tristes nesta vida. Uma é ir 3 dias em trabalho com o chefe. Outra é estar 3 dias fora com o chefe, em trabalho. Há uma terceira coisa mesmo mesmo mesmo mesmo triste. É estar com o chefe, em trabalho, longe do lar, e ouvir uma conversa sobre mangueiras pela 24ª vez. Mas felizmente isso não aconteceu. Foi só a 23ª vez. É nestes momentos que se abre a mala do carro e se retira um dos 7 brinquedos permanentes: a vola de fraia! E pronto. Estou em casa. Sinto-me a pairar nas nuvens, a tentar bater o recorde dos 199 toques na bola sem cair, que mantenho desde os 15 anos (não posso contar em público a minha reacção quando a bola decidiu trocar o meu pé pelo chão antes dos 200, mas não foi bonito, reconheço. Aos Serviços de Arranjos Exteriores da Câmara Municipal de Lagos, as minhas desculpas. Sim, fui eu que escangalhei aquele chapéu de praia verde horrível que estava a destoar no areal, corria o bom ano de 1994. Aos seguidores de um conceito estético bem mais interessante nas praias, não me agradeçam). E pronto, com uma musiquinha de fundo que, efectivamente tinha como letra: "epá, e estas mangueiras são de 20 metros e estão revestidas por camadas blá blá e pode regar-se as flores que elas não morrem em mais de 3 dias e blá blá blá e se as alfaces forem regadas com esta mangueira no dia seguinte cada alface dá 50 abóboras e blá blá...", fui brincando e brincando. Palhaço, sim, sempre. Mas dos fixes. Ao meu ilustre chefe e discípulo da má vida, parabéns por ter suportado que o cd da Rhianna girasse e girasse e girasse vezes sem conta durante 1200 km. O remix do Chris Brown já tá decorado! O gráfico de emissão da Antena 1, nestes 3 dias, está pelas ruas da amargura! Vai buscariiii !!
Post Scriptum - Obrigado pelos "flocos de neve" do post anterior.

Monday, February 18, 2008

O Papagaio e o Mar...


Ainda em relação ao Menino de Cabul, uma histórica verídica que, de facto, arrepia um pouco mesmo os pelinhos mais adormecidos, quem for ver procure aperceber-se da importância de um kite na felicidade de uma criança e de um homem... Eu tenho 3. Um pequenino, que parece uma ave. uma gaivota ao sabor da brisa do mar. Um grandito, que faz lembrar uma ave de rapina com hélices em voo picado sobre a presa (as hélices referem-se ao barulho que este papagaio faz, impressionante). Às vezes quando passa um avião em baixa altitude por cima de minha casa, penso que é alguém que me está a gamar o papagaio, mas não, lá está ele bem pertinho da minha cama. Gosto de saber que ao meu lado, que quando vou nanar está ali um bocadinho de mar, de céu, de praia e de liberdade bem perto. O terceiro, é um ganda maluco! Grandãoooo, imponente, 48 fios de 100 metros a apontarem os céus e o gigante adormecido lavanta voo... faz sombra no areal, ergue-se lentamente em direcção ao Sol, mas 1 segundo pode ser suficiente para escutar os nossos amigos úmero, rádio e cúbito a fazerem "crack". A última aventura ficou bem marcada na areia. Parecia uma praia atravessada por um tractor agrícola com uma charrua de aivecas das grandes. Neste caso, os meus pés fizeram de charruas. Posso até, numa próxima oportunidade, deixar o meu contacto para a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal. Um dia vou tentar lançá-lo dentro de água, mas tenho medo de curto-circuito com as faíscas produzidas pelos calcanhares. Estes 3 papagaios são os meus 3 amigos de todo o ano e de todas as praias, uma união para toda a vida. Espero um dia ter crianças para justificar estes brinquedos do pai como sendo brinquedos deles e não passar algumas vergonhas quando abro a mala do carro e parece a fusão da Imaginarium com o Papagaio sem Penas e com a Decathlon.
A dependência do mar estimula-nos a abraçá-lo todos os fins de semana, de perto ou de longe. É, efectivamente nomeadamente mormente, um abrigo. Um abrigo de liberdade, de sonhos, de loucura, de água, de diversão, de brilho, de prazer, de expressão, de sensações a que o corpo responde com uma dependência cada vez maior. Muitas vezes, quando pensamos no mar e nos momentos de prazer que nos proporciona, há uma nítida tendência para associar o surf a este contexto. Há o grupo dos surfistas, como há o dos betos, dos xungas, dos skaters, dos punks, dos dementes precoces :) etc... Eu tive sorte de ser um independente nesta matéria. Sou eu, sem grupo. Lanço os meus papagaios, um dia, uma noite, sozinho ou acompanhado. E cada vez gosto mais. Mergulho e encontro um Mundo que todas as pessoas têm de conhecer. Ninguém pode partir sem mergulhar e "sentir" o que se passa lá em baixo... já não se muda! É deixarmos de ser "pessoas" e todos os problemas que isso traz e passarmos a ser "mar" e toda a grandiosidade que isso representa. É sermos aventureiros, mas de outro Mundo. Já fiz surf e bodyboard. Nunca me esqueço da primeira vez, com a minha velhinha prancha amarela do Continente. Poucos centimetros quadrados do meu corpo não faziam lembrar um tipo lá dos África. Não consigo apanhar ondas, é um facto, mas faço uma boa amizade com a prancha ao pôr do Sol. Já desloquei um ombro e não disse nada a ninguém, quando quis subir para uma tábua de madeira à beira mar só com um pé, e tentar chegar o mais longe possível. Já pareci um minúsculo pontinho no mar, visto da praia, sentado numa bóia enorme que anda sempre na mala do meu carro, ao lado da bola colorida. Todos os dias do ano. Já fiz xixi no mar. Já fiz o pino, cambalhotas, dancei, cantei, corri e adormeci no mar. Já acertei com um disco na cabeça de uma senhora de 80 anos, e ela até gostou. Já atirei muitos paus para o mar, para um bobi trazer de volta. Já escrevi um pequeno livro, enquanto assisti a duas marés. Já corri para os barcos dos pescadores que chegam e devolvi ao mar todos os peixes que consegui. Já apanhei conchinhas para oferecer à minha mãe. Já fiz de palhaço à beira-mar enquanto me procuravam no alto mar e nas dunas. Já fui feliz à beira mar, enquanto fazia de palhaço. Já desenhei corações na areia e vi-os serem apagados pelas ondas pequeninas. Já corri 200 metros até ao mar e tropecei 1 metro antes de lá chegar. Nunca mais corri até ao mar. Já saltei para o mar do cimo de um monte (vá lá... um montito... vá lá... uma muito pequenina elevação... pronto, de cima de um calhau). Já fiquei sentado à beira-mar a ver nascer a lua atrás de mim e o sol a esconder-se à minha frente. Já saí do mar com a lua lá em cima. Muitas vezes. Já brinquei com o mar todas as horas do dia e da noite, algumas vezes com o fato de banho :) Secalhar, já fui mar... Se o mar falasse, a cumplicidade que temos impediria a divulgação de outras actividades lúdicas que me fizeram rir, sonhar, amar... sempre ao pé do mar. E o melhor está para vir... ;)

Menino de Cabul / Menino da Estrela

Noite de sábado para domingo, 16 Fevereiro, corria o bom ano de 2008, 0h25m, Corte Ingles, Departamento de Cinemas, 4 jovens cinéfilos entram na sala 14 para ver "The Kite Runner" ou, como facilmente se traduz em português, "O Menino de Cabul".
Noite de sábado para domingo, 16 Fevereiro, corria o bom ano de 2008, 2h35m, Corte Ingles, Departamento de Cinemas, 4 jovens cinéfilos saem da sala 14 depois de ver "The Kite Runner".
Nunca tinha vivido esta experiência solitária de não encontrar outros elementos que não do meu gang, numa sala de cinema. Ainda por cima o filme impressiona... 50% da população que assistiu a esta sessão, saiu a chorar, que foram, efectivamente, duas amigas minhas das quais me envergonho um pouco.

Domingo, 18h30m, saída do local de trabalho onde tive de ir fazer aquilo que não fiz durante a semana, isto é, trabalhar. Caía uma chuvinha, os sinos da Basílica da Estrela pareciam malucos, comecei a imaginar coisas... os filmes que me invadem a cabeça à razão de mais ou menos 24h por dia, e me fazem andar a rir sozinho na rua. É triste, mas acontece sempre. Não há ainda comprimidos nem injecções para esta patologia. Este filme não posso mesmo contar até porque envolve uma basílica e seria sacrilégio :) Mas a atmosfera desta Lisboa em dias taciturnos, com iluminação inquietantemente sóbria, ao som de sinos em histerismo resignado, incute-nos alguns pozinhos de perlimpimpim... a nostalgia de um momento que pretendemos viver a dois e não, solitariamente, num fim de tarde de domingo. Nada que não se recomponha com um anoitecer com amigos à beira rio, em ambiente fashion de cores, sons e sabores...!

Wednesday, February 13, 2008

Part - Time em Barcelona

Para poder suportar os avultados gastos que a manutenção deste corpo exige, ainda mais em férias, fui forçado a desenvolver uma actividade como limpador de mesas da tienda da Pans & Company, na Rambla, Barcelona. Uma actividade muito enriquecedora, principalmente para a mesa, que nunca foi tão bem massajada na sua vida. A remuneração de 1 bocadillo de jamon serrano com patatas bravas valia o esforço.
P.S. - Uma palavra especial para as 3 baratas que desfilavam por entre as pernas da cadeira, como quem passeia alegremente num bosque de cadeiras. Espero que ainda não tenham levado com insecticida na tola. Tenho saudades vossas. Beijinhos.

Impressionante, de facto...

Monday, February 11, 2008

Hi, there !



Eu e o meu primo Bernardo, que é um infeliz e um desgraçado (senão releia-se a 4ª e 5ª palavra deste post) estivémos uma noite a aprender a tocar esta música com a viola, directamente de uma pauta. Eu vou treinar um pouco mais, de facto. É ligeiramente mais complicado que ler um livro do Calvin & Hobbes... :) A música é simples e profunda... às vezes sabe bem "tocá-la" à viola, no silêncio da noite, antes de nanar...

São só palavras...


Já perdoei erros imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis...
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também já decepcionei alguém...
Já fiz amigos eternos, já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, já fui amado e não soube amar...
Já vivi de amor e fiz juras eternas, mas também já chorei ouvindo música e vendo fotos...
Já liguei só para escutar a tua voz, já me apaixonei por um sorriso, e pensei q fosse morrer de saudade...
mas sobrevivi...
Aprendi a perder com classe e vencer com ousadia...
Charles Chaplin
... e aprendi a Amar sem ser só hoje...
Polarito

Kalulu da Tia Alda


No fim de semana passado, a minha tia Alda organizou um mega-almoço de Kalulu, para recordar os tempos vividos em S. Tomé e Príncipe. Kalulu podia ser nome de cão, mas não. É nome de prato. É mais bonito dizer "epá, hoje estou mesmo cheio, que pratada de kalulu que comi" do que propriamente "kalulu, rebola, vai buscar o pau, sai de cima da Lassie". A primeira garfada de kalulu permite-nos dizer que é uma comida saborosa e nada mais. A partir daí começa a perceber-se que há uma infinidade de ingredientes que fazem as papilas gustativas estarem toda a refeição com espasmos loucos de prazer. Muito bom o Kalulu da Tia Alda ;) Além de tudo, fica-se com aquelas magníficas coceguinhas nas veias, com o pulsar do sangue a pedir uma viagem a S. Tomé...

Wednesday, January 30, 2008

V.I.P.

Na edição deste mês da VOGUE, existiam três opções sobre a mesa para a foto de capa. Ou a foto da Floribela sem o vestido azul (tenho um amigo chamado Polarito... vá lá, um conhecido... que passou 2 meses com o cd da Floribela no carro e consegue hoje, sem auxiliares de memória, cantar algo como... Vou usar o vestido azuuuuuuuuuulllllll, aquele que tu gostas maaaaaaaaaaaaaiiiis, e vou soltar o cabelo para dançar com o ventoooooooooo... vá lá nem é um conhecido, é um miserável que para aí anda e já nem é aceite nas estações do metro para tocar acórdeão), ou a foto do Ronaldo Guianéquini ou la como se chama esse tipo que destroça o coração de 9 em cada 10 mulheres (sendo que 9 das quais têm problemas de visão muito agravados) ou a foto do Mr. Polarito armado em bom de bola, com a costa alentejana por trás (mais lá para a frente segue o mesmo formato mas com a costa de Moçambique :) por trás). Ganhou a Floribela, só que a FHM consegui no último momento arranjar mais criancinhas para serem amigas da Floribela e ela não apareceu no dia da sessão de fotos para ficar a brincar à Macaca e à Cerumba. A 2ª opção foi o Ronaldo Guianéquini, que exigiu aparecer ao lado do Sr. Jorge Calheiros (não perguntem quem é) e portanto não foi aceite. Sobrou o Mr. Polarito com o voto de uma senhora de 126 anos que, por razões óbvias, não se encontra de juízo perfeito e terá pensado que sempre foi seleccionado o Guianéquini... :)

Nota: a todas as outras 623456233025734 pessoas que compraram a edição do mês passado, com a mesma capa, mas sem existência de t-shirt, muito obrigado.




Monday, January 21, 2008

Descubra as diferenças !



As duas imagens parecem idênticas, no entanto existem 960 diferenças entre elas. Descubra-as e assinale-as com uma dedada.
Nota: a imagem não é mais do que o diagrama representativo do rapto de um veículo do Museu dos Coches, depois de ter estado em exposição no museu de Arte Antiga, travessia da Ponte Vasco da Gama com um vidro sempre aberto porque não fecha, pára-brisas a descolar-se, pára-choques laterais caídos, sem espelho retrovisor, travões que permitem que um indivíduo entre numa rotunda e os carros tenham de parar a fundo para evitar faíscas, cheiro a carro que outrora transportou resíduos de uma suinicultura depois de atravessar o deserto do Sahara a céu aberto durante 1 Verão inteiro, volante a tremer como pudim boca-doce, ponteiro da velocidade a oscilar entre 40 km/h e 80 km/h quando consigo sacar ao motor (existe mesmo?) a velocidade de ponta de 60 km/h e 1 kit de velas para substituir quando eu sentisse que o carro estava a parar. Depois, o mais fácil, carregar 960 sacos de adubo vazios. Sim, novecentos e sessenta. Isso, n-o-v-e-c-e-n-t-o-s e s-e-s-s-e-n-t-a! E viva o luxo !

Friday, October 12, 2007

O Renascer das Cinzas...

Há 80 dias vivi o dia mais triste que se pode viver, julgo eu. É triste. Mas é tão ou mais triste em função do que nos envolve nesse momento e do que deixa de nos envolver no futuro. Faz-me impressão tentar acreditar que a minha Mãe já não está aqui. Então, não acredito. Faz-me impressão tentar acreditar que a minha Mãe já não vai assistir a tantas cenas do filme da minha vida. Eu que era, na minha simplicidade, um bom actor para a minha plateia... A cada dia tento renascer das cinzas, armado em Fénix a crescer debaixo da árvore da sabedoria, no jardim do Paraíso. Não vale a pena, por enquanto. Perder a Mãe é, definitivamente, o melhor filme de terror a que teimosamente somos obrigados a assistir... não podemos sair da fila da bilheteira, não podemos tapar os olhos, não podemos sair a meio do filme, não podemos tocar as pálpebras por fracções de segundos, não podemos sequer esquecer o filme. Ele dura para sempre... Quem vive uma experiência destas, na fase em que eu vivi, não tem nada a dizer... nada a ensinar... nada a pensar... tenho o cérebro parado, o corpo trémulo e a alma vazia... Se vos servir de inspiração ou se em algum momento da vida sentirem mágoa, dor, raiva, ódio ou outras emoções inquietantes pelos pequenos problemas que se cruzam no nosso trilho, saibam que hoje daria a vida, para estar mais 1 segundo com a minha Mãe. Aproveitem a dica...

Monday, August 06, 2007

Obrigado Mãe...

Obrigado Mãe, por teres sido a minha Mãe... Continuamos a Amar-nos pela Eternidade...

Sunday, June 24, 2007

Qualidade de vida!


Já há algum tempo que me apercebi de que todos esperam e desesperam por melhor qualidade de vida, mas apercebi-me também que, qualidade de vida é, geralmente, ter aquilo que não temos e, pior ainda, que os outros têm. No limite, é ridícula esta definição, uma vez que o meu vizinho de baixo pensa da mesma forma. Eu tenho qualidade de vida porque não levo com os pêlos do tapete do cão na cabeça ao sábado de manhã. Ele tem qualidade de vida porque assa sardinha e não fica 3 dias a cheirar a fumo porque o fumo vem visitar-me. Seria mais ou menos assim se eu tivesse vizinho por baixo. Ou seja, nunca temos qualidade de vida porque falta sempre algo. Muitas vezes quando temos alguma qualidade, falta-nos vida. Se temos mais vida, falta-nos alguma qualidade. Este fim de semana descobri mais um parâmetro indicador da qualidade de vida dos povos. Senão, vejamos. Mais um concerto do Rodrigo Leão. Foi só o 4º a que assisti nos últimos tempos. Há 4 meses atrás, 30 (t-r-i-n-t-a) moedas de euro garantiam a entrada para assistir em Lisboa ao dito. Ontem, 3 (t-r-ê-s) moedas de euro garantiram a entrada para assistir em Montemor-o-Novo ao dito. A qualidade do espectáculo, a mesma. A qualidade de vida... sobraram euros para mais 9 espectáculos em Montemor... venham eles!